quarta-feira, 7 de março de 2012

Equoterapia: a cura a galope

Com auxílio de cavalos, profissionais da saúde tratam pacientes das mais variadas patologias no Recife

Publicado em 12/02/2012, às 09h30 Fonte http://jconline.ne10.uol.com.br

Eduardo Donida

Medicina e modernidade sempre andaram de mãos dadas na história da evolução do homem. Mas quem diria que, em pleno século 21, seria um dos relacionamentos mais antigos, o entre homens e cavalos, que surgiria como canal de acesso a curas. Tal paradoxo se tornou possível através da equoterapia, método terapêutico que utiliza o cavalo como instrumento de reabilitação e desenvolvimento para pessoas com deficiências.

Introduzida no Brasil desde a década de 1970 e legitimada em 1989, com a criação da Associação Nacional de Equoterapia (ANDA - Brasil), a prática faz parte do que se pode chamar de Terapias Assistidas por Animais (TAA), ou zooterapia, e já tem seus adeptos no Recife. Uma delas é a doutora Ana Paula Nóbrega, diretora do Centro Elohim de Equoterapia, localizado no Parque de Exposições, no Cordeiro, e que atende a aproximadamente 42 praticantes das mais variadas idades.

“Para iniciar o tratamento, é recomendado que a criança tenha a partir de dois anos, mas não existe idade máxima. E os benefícios podem ser vistos logo na questão física: a andadura do cavalo é muito semelhante à marcha humana, sendo assim um instrumento cinesioterapêutico, o que serve como um estímulo para quem monta, trabalhando questões como o equilíbrio, a coordenação, a independência. Mas, mais além do que estimular a parte motora, a equoterapia trabalha o lado relacional dos praticantes”, contou a diretora.

De fato, o trabalho realizado com o auxílio dos animais abrange as mais variadas necessidades. É o caso das neuropatias (epilepsia, poliomielite, AVC, Doença de Parkinson), problemas cardiovasculares ou respiratórios, síndrome de Down, distúrbios comportamentais, sensoriais, emocionais (insônia, ansiedade, stress), dislexia, sequelas de queimaduras e até mesmo deficiências ortopédicas, como problemas de postura, artrite reumatoide, artrose, má formação da coluna.

No caso de pessoas mais idosas, por exemplo, a equoterapia pode atuar impulsionando a autoconfiança, reduzindo o perigo e a ocorrência de quedas e a depressão. Prova disso é Enedina Paes, de 75 anos, que iniciou o tratamento para amenizar sequelas de um AVC.

“Dona Enedina perdeu a capacidade de vocalizar, só se comunica com os olhos e com gestos. O que observamos é o que a família nos traz, a alegria que ela sente desde antes de sair de casa e, principalmente, durante a sessão. Seu semblante muda. Além de ela vir apresentando melhora no controle do tronco, equilíbrio postural e maior mobilidade dos membros do lado esquerdo do corpo, que foi afetado”, comentou Ana Paula.

O tratamento não é exaustivo. As sessões acontecem apenas uma vez por semana e duram cerca de 40 minutos. No caso do Centro Elohim, os trabalhos são realizados de segunda à quinta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Além disso, são acompanhados por uma equipe multidisciplinar composta por fisioterapeuta, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, educador físico e pelo equitador. Todos com formação em equoterapia.

“Não é mesmo uma metodologia tradicional, mas é complementar, não dispensando as outras terapias. Prefiro dizer que são intervenções assistidas com animais, e não por eles. Porque o cavalo age como um coterapeuta”, comentou Ana Paula. “Muitos pensam que se tratam de ‘tias’ colocando os meninos para brincar com os animais, como em um carrossel. Mas há todo um estudo por trás de cada ato, há uma ciência, e o trabalho vem mostrando resultados. Já tivemos casos, por exemplo, de praticantes que obtiveram marcha independente depois do tratamento quando não tinham prognóstico médico pra isso”, concluiu, referindo-se a pacientes que passaram a andar sozinhos após a equoterapia.

quinta-feira, 1 de março de 2012

ESPERANÇA!

17/02/2012 -- 14h35
Cérebro de autistas tem alterações aos 6 meses de idade
Crianças que desenvolvem a doença apresentam modificações ainda bebês
Um novo estudo feito na Universidade da Carolina do Norte descobriu diferenças significativas no desenvolvimento do cérebro aos seis meses de idade em crianças com alto risco que desenvolveram autismo mais tarde, comparado às crianças de alto risco mas que não tiveram a doença diagnosticada.

"É uma descoberta promissora", diz Jasno Wolff, líder do estudo. "Neste ponto, é um passo preliminar mas enorme em direção ao desenvolvimento de um biomarcador para risco para diagnosticar a doença", acrescenta.

O estudo também sugere que o autismo não aparece repentinamente nas crianças pequenas, mas se desenvolve ao longo do tempo durante a infância. Isso aumenta a possibilidade "de sermos capazes de interromper o processo com uma intervenção adequada", diz.

Os resultados são os mais recentes do estudo em andamento Infant Brain Imaging Study (IBIS). Os cientistas avaliaram 92 crianças que tinham irmãos mais velhos com autismo e que, portanto, eram considerados de alto risco para a doença. Eles passaram por exames de ressonância magnética aos 6 meses de idade e testes de comportamento aos 24 meses. A maioria também passou novamente por exames de imagem aos 12 e 24 meses.

Com dois anos de idade, 28 crianças (30%) preencheram os critérios desordens do autismo, enquanto 64 (70%) não. Os dois grupos tinham diferenças no desenvolvimento das fibras da substância branca - que conectam regiões do cérebro.

"A evidência, que implica múltiplos caminhos de fibras, sugere que o autismo é um fenômeno do cérebro todo e não de regiões isoladas", diz Wolff